Monday, April 23, 2007

O que diria Mao?




De um lado do rio, permanecem os edifícios centenários, herdados dos europeus, iguais aos poucos que ainda existem na Avenida da Liberdade, em Lisboa; ou aos que predominam na Gran Via, em Madrid, e noutras cidades europeias.
Na outra margem, em Pudong, está o Central Business District com os arranha-céus enfileirados, uns atrás dos outros. Onde ainda há muito espaço para continuar a construir em altura.
À noite, a cidade fica toda iluminada. De um lado e do outro.
Do lado de cá, as bandeiras da República Popular da China esvoaçam no topo de cada um dos edifícios centenários; do lado de lá a publicidade passa em grandes écrãs acopolados aos arranha-céus. No rio, ao lado dos cargueiros, passam pequenos barcos, também iluminados, um deles tem uma tela gigantesca que transmite pequenos filmes publicitários, anúncios a carros, Buick, Volskwagen...
“O que é que Mao diria se visse tudo isto?”, pergunta alguém à pessoa que lhe está mais próxima. “Perdi”, é a resposta.

Shanghai, a cidade que não dorme

Os arranha-céus sucedem-se, uns atrás dos outros, betão, aço, vidros espelhados. O sol bate e tudo brilha. O brilho do ouro, do sucesso, do ser e estar em grande. Em Shanghai já ninguém olha para os estrangeiros, porque estes fazem parte da sua vida há centenas de anos.
Diz quem cá está que “Shanghai está para a Lapa, em Lisboa, assim como Pequim está para o Montijo”. A capital nada é comparada com o desenvolvimento desta cidade que nasceu ao longo das duas margens do rio Huangpu.
Shanghai é sinónimo de desenvolvimento e de sofisticação. À melhor maneira ocidental até existe uma China Town, informa a guia turística que acompanha uma parte do grupo.
“Aqui sim, não me importava de passar uns tempos”, desabafam alguns alunos do MBA. O que os deslumbra? A melhor universidade da Ásia, para tirar um Master in Business Administration, que é também um dos melhores do mundo, reconhece o Finantial Times no seu ranking de MBA; a arquitectura; as estradas largas e os jardins cuidados; os restauramtes; as lojas de cadeias conhecidas; os mercados, o movimento; as luzes da cidade que é apelidada de “nunca dormir”.

Sunday, April 22, 2007


Estão todos bem, obrigado

É uma e meia da manhã, em Shangai. Seis e meia da tarde, em Lisboa.
O que costumam perguntar os avós, os pais, @s espos@s, os filhos e @s namorad@s?
“Tens comido bem?”
Sim, embora existam sabores novos com os quais as nossas papilas gustativas se dão menos bem. Por aqui, há quem tenha saudades de um bife, um bacalhau espiritual, sobremesa e café.
“Tens dormido bem?”
Sim, mas com um programa tão intenso, as horas de sono são poucas. Há quem aproveite todos os bocadinhos que passa nos autocarros e aviões para recuperar as energias.
“Tens visto muita coisa?”
Sim, empresas, indústrias, mas também pontos de interesse cultural. Falado com empresários estrangeiros e chineses, mas também contactado com a população local.
“E o grupo?”
Alguns já se conheciam do MBA, são professores, estudantes e antigos alunos; outros nem por isso, mas predomina a simpatia e o espírito de grupo.
“E as noites?”
Para alguns servem para dormir, para outros são para sair, conhecer a movida chinesa, os melhores bares e discotecas. E quando não se conhece o sítio perfeito, transforma-se aquele em que se está numa verdadeira festa. Divertidissimo, diz quem sai.

O síndroma da bicicleta

Para um chinês montar uma bicicleta ou sentar-se ao volante de um carro ou de um autocarro é a mesma coisa.
O veículo de quatro rodas é manobrado exactamente da mesma maneira: ora se desvia dos obstáculos, ora tenta furar pelo meio do trânsito, ora não pára e não respeita os peões, mesmo que estejam em plena passadeira, ora se anda em sentido contrário... Tudo isto acompanhado por buzinadelas, como se da campainha da bicicleta se tratasse.
Tudo isso tem acontecido nesta viagem: semáforos que são ignorados, ultrapassagens feitas sem olhar para trás ou para o lado... Toda a gente se tem perguntado, mas como é que ainda não houve um acidente?
Aconteceu ontem, em Qingdao, a terra da cerveja, que vai receber os desportos náuticos durante os próximos Jogos Olímpicos, em 2008.
Foi assim: O grupo da Católica está dividido entre dois autocarros. O primeiro fez uma travagem brusca e o segundo não teve a mesma presença de espírito. Resultado: o autocarro da frente passou a ter ar condicionado reforçado, já que o vidro de trás se partiu com o embate do espelho retrovisor do segundo autocarro.
Não aconteceu mais nada. Todos estão bem e todos terão esta história para contar quando chegarem a Lisboa.

Saturday, April 21, 2007

Os exóticos somos nós


O velho de boné redondo, casaco e calças azuis escuras; a mulher que limpa a rua com um enorme lenço amarelo a proteger-lhe a cabeça do sol; o bebé com a cara redondinha e de maçãs do rosto rosadas; a menina com uns rabichos presos por elásticos cheios de folhos. No interior, a China ainda é como há 20 anos atrás.

Esta é a China exótica que o turista gosta de fotografar, ao contrário do novo país, cheio de arranha-céus, ruas largas, pessoas apressadas ao telemóvel.
Esta é a China que tem sido fotografada nos últimos dias; mas por baixo do velho casaco de uniforme maoísta há também uma máquina fotográfica que nos capta, que nos fixa a imagem. Os mais afoitos pedem, com gestos, se podem tirar uma fotografia. Os eleitos são os mais altos, de cabelos e olhos claros, homens e mulheres.

Tal como nós vamos guardar as imagens da velha China, também eles vão guardar os sorrisos dos que vieram de longe.

Friday, April 20, 2007

O melhor dos dois sistemas na Wahaha

Conhecer diferentes indústrias foi o desafio cumprido na manhã de sexta-feira pelos alunos e professores do MBA da Católica, na cidade de Weifang.
Componentes electrónicos na Goer Tek, motores de barcos e camiões na Weichai Power, engarrafamento de águas e refrigerantes na Wahaha, produtos farmacêuticos na V3...
Sempre acompanhados por uma escolta policial e pelas autoridades locais, as visitas são curtas e muitas perguntas da comitiva da universidade ficam por responder.

Na Wahaha - a maior produtora de refrigerantes na China e a quinta no ranking mundial - faltou a luz e os funcionários foram para casa. A fábrica está vazia, a linha de engarrafamento parada, mas nas paredes, em pequenos quadros, está toda a filosofia em que se baseia a nova China: o culto do líder, o “senhor Zong” a quem os colaboradores cantam “espontaneamente os parabéns”, e os objectivos capitalistas de fazer mais e melhor, de investir em tecnologia, em inovação, de crescer, crescer.

“Valorizamos a competição, a promoção e a recompensa tendo em conta a performance”, diz um dos posters. Mais à frente, as fotografias testemunham o juramento dos colaboradores de fidelidade ao partido. De seguida, os números do crescimento. Depois a imagem de 88 casais, elas vestidas de branco e eles de fato escuro, do casamento de grupo dos trabalhadores da Wahaha, em 2003. "Sempre que o senhor Zong vai a França, a bandeira chinesa é hasteada ao lado da francesa”, informa o quadro que refere a joint-venture com o grupo francês Danone.

Contratar uma ama chinesa

Há dias li que no Reino Unido, os britânicos estão a contratar amas chinesas, para que os seus filhos aprendam mandarim, desde bebés. O inglês, a língua do presente, a piscar o olho ao idioma do futuro.
Quer nos pontos mais turísticos, por onde passam milhões de pessoas por ano, quer nos melhores hotéis e restaurantes, que recebem os mesmos turistas, é difícil comunicar, perguntar coisas simples como: Onde fica o restaurante? Onde é o mercado?

Será arrogância, como em tempos aconteceu com os franceses e depois com os britânicos, ambos detentores de línguas francas a que os outros povos se sujeitaram precisamente para poder negociar. Ou será só ignorância?
Diz que na escola, os mais novos aprendem quatro anos de inglês. Aparentemente um tempo perdido porque o ensino está dirigido para a memorização e para a resposta eficiente aos exames, critica quem sabe.

A julgar pela experiência destes dias, talvez o melhor a fazer é seguir as pisadas dos ingleses, tentar aprender a língua ou contratar uma ama chinesa.

Thursday, April 19, 2007

As cidades que crescem por ordem do Governo


Zhengzhou está a crescer há cinco anos e vai continuar a fazê-lo por mais 20. Toda a cidade tem 1080 quilómetros quadrados. Pelo menos é o que está previsto, a julgar pela enorme maqueta, que preenche todo o chão de uma sala onde o projecto é apresentado aos visitantes estrangeiros.

Há a cidade velha, que ocupa uma ínfima parte do plano e tudo o resto é novo.
Na zona nobre fica o Central Business District. O centro de exposições e de conferências com 272,600 metros quadrados, para feiras de negócios e reuniões, já concluído e a funcionar desde o final de 2006. O hotel e o centro de artes e espectáculos, com salas para teatro, concertos e exposições de arte, ainda está em fase de construção.

À volta deste centro, cresce a cidade em áreas funcionais: a zona residencial; a universitária, com mais de 13 instituições e destinada a 40 mil estudantes; a tecnológica e a industrial, onde se encontram multinacionais como a MAN, Philips ou a Toyota.

“O Governo central ordenou o alargamento das cidades e este é o seu maior e mais importante investimento. Não é só Zhengzhou, são muitas”, informa Wang Ji, vice-presidente para os Negócios Estrangeiros da província de Henan, que tem cerca de 19 milhões de habitantes.
À volta do centro crescem inúmeros prédios de apartamentos, com 80 metros de altura, e de escritórios, com 120 metros. Alguns são investimento estrangeiro, como as Italian Towers.

São casas e mais casas, para não falar das que já estão construídas e que parecem estar vazias. Tanta construção para quem? A resposta do dirigente é curta: “Muita gente virá”.

Wednesday, April 18, 2007

Como se sentiriam se fossem chineses?

Classe das unidades, dezenas, centenas, milhares... Os chineses são 1,3 mil milhões, para os mais práticos, bilhões de pessoas. Como é que eles olham para esse facto?

"Num barco, ía um americano, um russo e um chinês e começam a fazer apostas para saber quem é o melhor.
O americano, abre a mala e deita borda fora dólares e mais dólares: "Nós temos dólares por todo o lado, é o que não falta".
O russo, abre a mala e atira ao mar casacos de peles, peles e mais peles.
O chinês agarra noutro chinês e atira-o borda fora: "Nós na China... É o que não nos falta!"

A anedota (adaptada) foi contada por Jason Wang, o guia turistico, em Pequim.

Poucas horas depois, em Zhengzhou, uma cidade que fica praticamente a duas horas de avião da capital, um voo com todas as características de voo internacional, não fosse cheio de portugueses, Tina, a guia turística, num inglês muito indeciso, pergunta: "Como se sentiriam se fossem assim tantos como os chineses?"
Ninguém lhe responde, de microfone na mão, ela insiste: "Se fossem na rua e só vissem pessoas por todo o lado, bicicletas, carros...". O seu rosto está fechado e exige uma resposta, que teima em não sair da boca das mais de 30 pessoas sentadas num dos dois autocarros fretados para transportar o grupo da Universidade Católica Portuguesa.

A verdade é que ninguém consegue fazer uma ideia. Em Portugal somos dez milhões; só na cidade de Beijing são mais cinco. Os números por cá são todos enormes: três milhões de carros e 12 milhões de bicicletas circulam diariamente em Pequim.

Tuesday, April 17, 2007

Presidente da Siemens China defende inovação


A única resposta do Ocidente ao desenvolvimento da China é a inovação, considera o presidente da Siemens China, Richard Hausmann, que está apenas há ano e meio na China.
O dirigente da multinacional alemã, representada há 135 anos neste país, considera que a língua não é uma barreira, mas sim a falta de conhecimento das pessoas e do mercado. Aos estrangeiros cabe o desafio do networking, ou seja, de conhecer outras pessoas, ligadas a outras empresas ou ao Governo, procurando estabelecer uma relação de confiança. Depois, é esperar pelos resultados desses contactos, afirma.
Apesar da Siemens estar a apostar em diferentes áreas, da saúde à energia, passando pelos transportes e comunicações; apesar de ter contratos com o Governo central e provincial, Hausmann admite que, embora haja uma maior abertura por parte dos dirigentes do partido, há situações em que as negociações se revelam mais “difíceis”. “A China não é um país fácil, a corrupção é considerada normal e precisamos de ter quatro olhos”, confessa num encontro, logo de manhã, com o grupo do MBA da Católica, na sede da empresa em Beijing.
Hausmann refere ainda que, face ao problema da contrafacção de produtos em tudo semelhantes aos produzidos e comercializados pelas empresas estrangeiras, os tribunais chineses começam a ser menos tolerantes para com os fabricantes locais. “A punição pode não parecer suficiente para nós, mas não é de todo irrazoável a forma como o tribunal funciona”, diz. “Quem vem para a China precisa de proteger os direitos intelectuais do seu produto. Caso contrário, perderá tudo”, recomenda, porque as ideias são copiadas “facilmente”, justifica.
Uma das razões porque os chineses se começam a preocupar com os direitos de autor é porque, actualemnete, não se cingem apenas a copiar, mas começam também a inovar, continua. A inovação é o segredo para conseguir manter a liderança, acredita.
Para que os produtos do ocidente façam diferença, é preciso apostar nessa área. No caso da multinacional, o investimento em 2006 foi de 5,7 mil milhões de euros, em 16 centros de inovação e desenvolvimento espalhados por todo o mundo. A empresa aposta ainda na relação estreita com as universidades e ainda na procura de cérebros, sobretudo a nível local, com o objectivo de “transformar as exigências dos consumidores em novos produtos”.

Postar em chinês?

Depois de escrever o primeiro texto, a partir de Beijing, abri o Blogger e... tudo em caracteres chineses. Por intuição, fui cumprindo todos os passos e, na dúvida, acabei por meter o mesmo texto duas vezes! Ver o que tinha feito? Isso o Blogger (ou quem o controla) não me permitiu. Não sei como ficou, até entrar em contacto com a redacção em Lisboa.
Espero que a entrada deste post corra tão bem como a(s) primeira(s)!
Se assim for, posso dizer com toda a confiança que não sei dizer mais do que ni hao (bom dia) e xiéxié (obrigada), mas sei postar em chinês!

Monday, April 16, 2007

Embaixador Rui Quartin prevê aumento do comércio bilateral


“Potência emergente no século XXI”. É assim que Rui Quartin, embaixador de Portugal em Beijing define a China. Eta tarde, num encontro com o grupo de 64 pessoas do MBA da Católica, o diplomata apelou aos antigos e aos novos alunos, bem como a alguns empresários integrados na comitiva, para as portencialidades de fazer negócios com a China.
“Esta visita revela o crescente interesse da comunidade portuguesa em ter contacto e conhecimento da realidade chinesa”, disse ao PÚBLICO. Em 2006 o comércio bilateral ultrapassou em muito os mil milhões de euros. “Este ano prevemos um sensível aumento”, informa.
À embaixada tem sido frequentemente solicitada informação sobre o funcionamento do mercado chinês. Actualmente os sectores mais representados são os vinhos, a cortiça, os mármores, o azeite e os materiais de construção.
Os principais problemas que os empresários apontam são a barreira da língua e da cultura, assiná-la o embaixador. A recomendação é para que os interessados “encontrem o seu nicho”, que não tem necessariamente de ser nas grandes capitais, mas no mercado provincial, recomenda Rui Quartin.

Friday, April 13, 2007

Edeluc quer empresários portugueses na China

Os portugueses podem aproveitar o boom económico chinês? Sim, responde Fernando Costa Freire, sócio da Edeluc, uma empresa de consultoria, que só trabalha com o mercado chinês. Áreas como as da energia e eficiência energética podem ser as apostas, sugere durante uma conferência em Lisboa, no início do mês de Abril, para alunos e ex-alunos do MBA da Universidade Católica Portuguesa.
As empresas portuguesas não podem viver sem se preocupar com a China, “incontornável em qualquer modelo de negócio”, considera Costa Freire. Isso não quer dizer que os empresários portugueses tenham de ter negócios com aquele país, mas que têm de conhecer aquela realidade, considera. “Há um despertar para esta realidade, mas não uma acção correspondente”, lamenta.
O investimento português é incipiente, acrescenta, mas há áreas onde Portugal pode apostar como a indústria ambiental, energia, eficiência energética e energias renováveis. “A China tem uma enorme dependência energética do exterior que lhe interessa diminuir” e Portugal pode intervir nessa área, defende Costa Freire. As empresas portuguesas têm capacidade de resposta, mas dentro da sua dimensão, alerta. Afinal, “há cerca de 120 cidades que têm mais de um milhão de habitantes”, justifica.
Para Fernando Costa Freire, os portugueses não devem apostar nas grandes cidades, como Pequim ou Shangai, mas em centros urbanos mais pequenos onde “há mais oportunidades e menos concorrência”. Embora admita que seja mais difícil levar a banca a apostar em regiões que menos conhecidas.
A Edeluc tem uma concessão de 38 hectares na Zona de Processamento de Exportações da cidade de Weifang, que fica na província de Shandong, no noroeste do país. Esta zona, aprovada pelo órgão máximo da política económica chinesa, reúne um conjunto de características físicas e um pacote de incentivos fiscais que a tornam numa "plataforma atractiva" para a instalação de empresas, informa o site da consultora.
É já no próximo domingo que um grupo de professores, alunos e ex-alunos do programa de MBA da Católica, embarcam numa viagem à China, onde visitarão empresas e instituições de ensino superior. Alguns dos estudantes, gestores e empresários, vão ver in loco o desenvolvimento e as oportunidades que a China lhes pode oferecer, informa Belén de Vicente, directora executiva do MBA da Católica.