1. No festival de papagaios, em Weifang, um grupo de soldados ajuda uma professora da Católica a lançar um papagaio. A tentativa resulta num papagaio de papel estragado. Os soldados desaparecem, pouco depois regressam com um novo papagaio.
2. Em Zhengzhou, um companheiro de viagem perde a carteira, com documentos, cartões de crédito, dinheiro, bastante dinheiro. A carteira ficou algures no aeroporto daquela cidade. O contacto para a polícia de Zhengzhou foi feito logo à chegada ao aeroporto de Qingdao. A carteira foi devolvida, com uma nota da polícia onde informava que faltava apenas o dinheiro da viagem de regresso ao bolso do casaco do dono.
3. Com a barreira da língua, não é fácil falar com ninguém, nem mesmo com os taxistas. Nos hotéis há pequenos cartões com a seguinte mensagem: "Leve-me ao Hotel X que fica na rua Y", em inglês e em chinês. De mapa na mão, indicamos a rua aonde queremos chegar. Os taxistas não enganam, os valores que pagamos à ida e à volta são exactamente os mesmos, mais cêntimo, menos cêntimo.
4. No mercado tudo é negociado. Ao preço que nos é pedido, baixamos para metade. Insiste-se. Sai-se da loja, com algum dramatismo, na expectativa que o vendedor nos siga, dê o braço a torcer e venda pelo preço desejado. Em Shanghai, depois de muito regatear, o negócio não se efectua. Ainda assim, a vendedora não perde o sorriso de hospitalidade e oferece os seus préstimos. É que o mercado já está fechado e só há uma porta por onde sair. Em vez de deixar as turistas entregues ao seu destino, fecha a loja e acompanha-as até à saída.
Wednesday, May 2, 2007
Monday, April 23, 2007
O que diria Mao?
De um lado do rio, permanecem os edifícios centenários, herdados dos europeus, iguais aos poucos que ainda existem na Avenida da Liberdade, em Lisboa; ou aos que predominam na Gran Via, em Madrid, e noutras cidades europeias.
Na outra margem, em Pudong, está o Central Business District com os arranha-céus enfileirados, uns atrás dos outros. Onde ainda há muito espaço para continuar a construir em altura.
À noite, a cidade fica toda iluminada. De um lado e do outro.
Do lado de cá, as bandeiras da República Popular da China esvoaçam no topo de cada um dos edifícios centenários; do lado de lá a publicidade passa em grandes écrãs acopolados aos arranha-céus. No rio, ao lado dos cargueiros, passam pequenos barcos, também iluminados, um deles tem uma tela gigantesca que transmite pequenos filmes publicitários, anúncios a carros, Buick, Volskwagen...
“O que é que Mao diria se visse tudo isto?”, pergunta alguém à pessoa que lhe está mais próxima. “Perdi”, é a resposta.
Shanghai, a cidade que não dorme
Os arranha-céus sucedem-se, uns atrás dos outros, betão, aço, vidros espelhados. O sol bate e tudo brilha. O brilho do ouro, do sucesso, do ser e estar em grande. Em Shanghai já ninguém olha para os estrangeiros, porque estes fazem parte da sua vida há centenas de anos.
Diz quem cá está que “Shanghai está para a Lapa, em Lisboa, assim como Pequim está para o Montijo”. A capital nada é comparada com o desenvolvimento desta cidade que nasceu ao longo das duas margens do rio Huangpu.
Shanghai é sinónimo de desenvolvimento e de sofisticação. À melhor maneira ocidental até existe uma China Town, informa a guia turística que acompanha uma parte do grupo.
“Aqui sim, não me importava de passar uns tempos”, desabafam alguns alunos do MBA. O que os deslumbra? A melhor universidade da Ásia, para tirar um Master in Business Administration, que é também um dos melhores do mundo, reconhece o Finantial Times no seu ranking de MBA; a arquitectura; as estradas largas e os jardins cuidados; os restauramtes; as lojas de cadeias conhecidas; os mercados, o movimento; as luzes da cidade que é apelidada de “nunca dormir”.
Diz quem cá está que “Shanghai está para a Lapa, em Lisboa, assim como Pequim está para o Montijo”. A capital nada é comparada com o desenvolvimento desta cidade que nasceu ao longo das duas margens do rio Huangpu.
Shanghai é sinónimo de desenvolvimento e de sofisticação. À melhor maneira ocidental até existe uma China Town, informa a guia turística que acompanha uma parte do grupo.
“Aqui sim, não me importava de passar uns tempos”, desabafam alguns alunos do MBA. O que os deslumbra? A melhor universidade da Ásia, para tirar um Master in Business Administration, que é também um dos melhores do mundo, reconhece o Finantial Times no seu ranking de MBA; a arquitectura; as estradas largas e os jardins cuidados; os restauramtes; as lojas de cadeias conhecidas; os mercados, o movimento; as luzes da cidade que é apelidada de “nunca dormir”.
Sunday, April 22, 2007
Estão todos bem, obrigado
É uma e meia da manhã, em Shangai. Seis e meia da tarde, em Lisboa.
O que costumam perguntar os avós, os pais, @s espos@s, os filhos e @s namorad@s?
“Tens comido bem?”
Sim, embora existam sabores novos com os quais as nossas papilas gustativas se dão menos bem. Por aqui, há quem tenha saudades de um bife, um bacalhau espiritual, sobremesa e café.
“Tens dormido bem?”
Sim, mas com um programa tão intenso, as horas de sono são poucas. Há quem aproveite todos os bocadinhos que passa nos autocarros e aviões para recuperar as energias.
“Tens visto muita coisa?”
Sim, empresas, indústrias, mas também pontos de interesse cultural. Falado com empresários estrangeiros e chineses, mas também contactado com a população local.
“E o grupo?”
Alguns já se conheciam do MBA, são professores, estudantes e antigos alunos; outros nem por isso, mas predomina a simpatia e o espírito de grupo.
“E as noites?”
Para alguns servem para dormir, para outros são para sair, conhecer a movida chinesa, os melhores bares e discotecas. E quando não se conhece o sítio perfeito, transforma-se aquele em que se está numa verdadeira festa. Divertidissimo, diz quem sai.
O que costumam perguntar os avós, os pais, @s espos@s, os filhos e @s namorad@s?
“Tens comido bem?”
Sim, embora existam sabores novos com os quais as nossas papilas gustativas se dão menos bem. Por aqui, há quem tenha saudades de um bife, um bacalhau espiritual, sobremesa e café.
“Tens dormido bem?”
Sim, mas com um programa tão intenso, as horas de sono são poucas. Há quem aproveite todos os bocadinhos que passa nos autocarros e aviões para recuperar as energias.
“Tens visto muita coisa?”
Sim, empresas, indústrias, mas também pontos de interesse cultural. Falado com empresários estrangeiros e chineses, mas também contactado com a população local.
“E o grupo?”
Alguns já se conheciam do MBA, são professores, estudantes e antigos alunos; outros nem por isso, mas predomina a simpatia e o espírito de grupo.
“E as noites?”
Para alguns servem para dormir, para outros são para sair, conhecer a movida chinesa, os melhores bares e discotecas. E quando não se conhece o sítio perfeito, transforma-se aquele em que se está numa verdadeira festa. Divertidissimo, diz quem sai.
O síndroma da bicicleta
Para um chinês montar uma bicicleta ou sentar-se ao volante de um carro ou de um autocarro é a mesma coisa.
O veículo de quatro rodas é manobrado exactamente da mesma maneira: ora se desvia dos obstáculos, ora tenta furar pelo meio do trânsito, ora não pára e não respeita os peões, mesmo que estejam em plena passadeira, ora se anda em sentido contrário... Tudo isto acompanhado por buzinadelas, como se da campainha da bicicleta se tratasse.
Tudo isso tem acontecido nesta viagem: semáforos que são ignorados, ultrapassagens feitas sem olhar para trás ou para o lado... Toda a gente se tem perguntado, mas como é que ainda não houve um acidente?
Aconteceu ontem, em Qingdao, a terra da cerveja, que vai receber os desportos náuticos durante os próximos Jogos Olímpicos, em 2008.
Foi assim: O grupo da Católica está dividido entre dois autocarros. O primeiro fez uma travagem brusca e o segundo não teve a mesma presença de espírito. Resultado: o autocarro da frente passou a ter ar condicionado reforçado, já que o vidro de trás se partiu com o embate do espelho retrovisor do segundo autocarro.
Não aconteceu mais nada. Todos estão bem e todos terão esta história para contar quando chegarem a Lisboa.
O veículo de quatro rodas é manobrado exactamente da mesma maneira: ora se desvia dos obstáculos, ora tenta furar pelo meio do trânsito, ora não pára e não respeita os peões, mesmo que estejam em plena passadeira, ora se anda em sentido contrário... Tudo isto acompanhado por buzinadelas, como se da campainha da bicicleta se tratasse.
Tudo isso tem acontecido nesta viagem: semáforos que são ignorados, ultrapassagens feitas sem olhar para trás ou para o lado... Toda a gente se tem perguntado, mas como é que ainda não houve um acidente?
Aconteceu ontem, em Qingdao, a terra da cerveja, que vai receber os desportos náuticos durante os próximos Jogos Olímpicos, em 2008.
Foi assim: O grupo da Católica está dividido entre dois autocarros. O primeiro fez uma travagem brusca e o segundo não teve a mesma presença de espírito. Resultado: o autocarro da frente passou a ter ar condicionado reforçado, já que o vidro de trás se partiu com o embate do espelho retrovisor do segundo autocarro.
Não aconteceu mais nada. Todos estão bem e todos terão esta história para contar quando chegarem a Lisboa.
Saturday, April 21, 2007
Os exóticos somos nós
O velho de boné redondo, casaco e calças azuis escuras; a mulher que limpa a rua com um enorme lenço amarelo a proteger-lhe a cabeça do sol; o bebé com a cara redondinha e de maçãs do rosto rosadas; a menina com uns rabichos presos por elásticos cheios de folhos. No interior, a China ainda é como há 20 anos atrás.
Esta é a China exótica que o turista gosta de fotografar, ao contrário do novo país, cheio de arranha-céus, ruas largas, pessoas apressadas ao telemóvel.
Esta é a China que tem sido fotografada nos últimos dias; mas por baixo do velho casaco de uniforme maoísta há também uma máquina fotográfica que nos capta, que nos fixa a imagem. Os mais afoitos pedem, com gestos, se podem tirar uma fotografia. Os eleitos são os mais altos, de cabelos e olhos claros, homens e mulheres.
Tal como nós vamos guardar as imagens da velha China, também eles vão guardar os sorrisos dos que vieram de longe.
Esta é a China exótica que o turista gosta de fotografar, ao contrário do novo país, cheio de arranha-céus, ruas largas, pessoas apressadas ao telemóvel.
Esta é a China que tem sido fotografada nos últimos dias; mas por baixo do velho casaco de uniforme maoísta há também uma máquina fotográfica que nos capta, que nos fixa a imagem. Os mais afoitos pedem, com gestos, se podem tirar uma fotografia. Os eleitos são os mais altos, de cabelos e olhos claros, homens e mulheres.
Tal como nós vamos guardar as imagens da velha China, também eles vão guardar os sorrisos dos que vieram de longe.
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